Alunos do Campus Centro Elaboram Mapas Táteis para Discentes com Deficiência Visual

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Discentes do Campus Centro (aluna Maria Luiza Sobral Bandeira de Mello, ao centro) em atividade de mapas táteis na sala do NAPNE (crédito: equipe do NAPNE do Campus Centro)
Discentes do Campus Centro (aluna Maria Luiza Sobral Bandeira de Mello, ao centro) em atividade de mapas táteis na sala do NAPNE (crédito: equipe do NAPNE do Campus Centro)

Os alunos do Colégio Pedro II elaboraram para esta 1ª certificação na disciplina de Geografia mapas táteis em braille do Brasil como forma de avaliação do conteúdo aprendido e como forma de incluir os discentes com deficiência visual neste processo de descoberta e aprendizagem. Estes últimos, são os principais avaliadores do resultado final dos mapas desenvolvidos por seus colegas.

Os mapas táteis permitem ao estudante com deficiência visual o conhecimento da dimensão espacial, através das diferentes texturas e legendas em braille, em uma abordagem holística e integrativa.

Além dos instrumentos de desenho, cartolina e soluções propostas pelos estudantes com texturas diferentes como tecidos, botões, enfeites de roupa, papelão ondulado e outras soluções, os alunos usaram a reglete (modelo positivo) e a punção para a legendagem dos trabalhos.

O conjunto da reglete e a punção são ferramentas disponibilizadas e orientadas pela equipe do NAPNE (Núcleo de Atenção a Pessoas com Necessidades Específicas) do campus. A Prof.ª Juliana Castro, chefe do departamento, comentou sobre as dificuldades encontradas e a participação do setor. “Uma das grandes dificuldades que temos é a falta de material acessível para alunos cegos e o que a gente tem orientado aos professores é a produção de material e que envolvam os alunos nesta produção. Neste trabalho de Geografia, foram os alunos que pensaram as texturas e o NAPNE orientou a produção das legendas em braille”, ressaltou.

A discente Maria Luiza Sobral Bandeira de Mello, da turma 2106, 1ª Série do Ensino Médio, comentou sobre a experiência de produzir mapas táteis. “A experiência foi muito legal, nós tivemos contato com uma outra linguagem e acho que vai ser muito útil ao Rafael (Diaz Antunes, aluno da 2108)”, afirmou.

Os professores do Departamento de Geografia, Marcos Sant’Anna Valero e Paula Sousa de Oliveira Barbosa propuseram as atividades com turmas da 1ª Série do Ensino Médio. O Prof. Marcos Sant’ Anna comentou a dinâmica da atividade. “O mérito é da Prof.ª Paula Barbosa. Ela teve a ideia. E, lógico, topei. Eu falei com os meninos que vieram do Instituto Benjamin Constant, o Rafael e o Wanderson (Luis Pereira dos Santos, da turma 2108) e a aluna Isabela Benjamin (também da turma 2108) para serem os coordenadores deste trabalho. A proposta é fazer mapas táteis de acordo com a demanda da matéria. Eu montei grupos de 6 alunos e estes escolheram os mapas que produziriam. Eles procuraram as soluções que surgiram como quais materiais usar, mas a regra era que estes materiais fossem duráveis e legíveis para aqueles que não tem o alcance visual”, explicou.

O discente Rafael Diaz Antunes, coordenador da atividade, qualificou como exitosa a atividade de mapas táteis. “Foi além das expectativas, desenvolveram um braille muito bom. Quando não estava bom numa primeira vez, após um ajuste, eu conseguia ler perfeitamente. Inclusive até um aluno da 2104, o Artur (Feliciano Alves de Britto Cardoso Souto), conseguiu escrever uma carta bonita em braille utilizando a reglete me agradecendo. Dizia que era um prazer ter me conhecido. Agora, olhando para atrás, isto foi simbólico. O Prof. Marcos nos perguntou se haveria ou não o trabalho e nós (os alunos avaliadores do trabalho) aprovamos. (…)Para mim foi uma experiência muito boa, conheci várias pessoas que não conhecia. E para os alunos também por terem entrado em contato pela primeira vez com o sistema braille. Também foi bom por ter entrado em contato com a realidade deles. Não consigo imaginar o quanto deve ter sido difícil e em alguns momentos alguns alunos pensaram em desistir, mas persistiram, continuaram e foi um sucesso”, qualificou.

Aluno da 1ª Série do Ensino Médio usando a reglete e a punção durante execução de trabalho (crédito: equipe do NAPNE do Campus Centro)
Aluno da 1ª Série do Ensino Médio usando a reglete e a punção durante execução de trabalho (crédito: equipe do NAPNE do Campus Centro)

Confira, abaixo, os mapas táteis desenvolvidos pelos estudantes:

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