#BibliotecaIndica – Sugestões da Biblioteca Escolar (10)

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GEORGE ORWELL E AS FAKE NEWS

George Orwell (Imagem: Wikipédia)
George Orwell (Imagem: Wikipédia)

Em tempos de autoritarismo e fake news, textos do autor indiano-inglês, George Orwell (Eric Arthur Blair, 1903-1950), sobre a verdade são mais necessários do que nunca.

A 10° ed. do #BibliotecaIndica desta semana, recomendado pela “Biblioteca da Prôa”, vem apontar que o autor de ‘1984’ e ‘A Revolução dos Bichos’, o qual completa 70 anos de ausência após seu falecimento, preocupou-se, a décadas atrás, com a questão da verdade. A sua leitura é recomendada sobretudo frente ao contexto dos dias atuais.

"1984" (Imagem: Wikipédia)
“1984” (Imagem: Wikipédia)

“Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que os outros” George Orwell.

Recomenda-se o vídeo: https://youtube.com/watch?v=ewOLU3CYaPw

"A Revolução dos Bichos" (Imagem: Wikipédia)
“A Revolução dos Bichos” (Imagem: Wikipédia)

Em “1984”, George Orwell já havia feito referência a um Ministério da Verdade encarregado de reescrever a história e falsificar fatos, conforme a conveniência do sistema. Para conseguir isso, ele recorreu a todos os métodos à sua disposição, especialmente propaganda e mídia.

VOCÊ SABIA?

As obras de Orwell, assim como “1984” e “A Revolução dos Bichos”, estão protegidas pela Lei do direitos patrimoniais, a qual inviabiliza a divulgação de links em PDF dos seus escritos. Os 70 anos de proteção dos direitos patrimoniais culmina com os 70 anos da despedida do autor, porém contam-se a partir de 1º de janeiro do ano seguinte ao do falecimento. Por esse motivo, 1º de Janeiro é Dia do Domínio Público. No caso de Orwell, a obra entrará em domínio público em 1/1/2021. A sua “Biblioteca da Prôa” possui estas e outras obras em meio físico.

QUEM FOI GEORGE ORWELL?

Eric Arthur Blair, pseudônimo de George Orwell (1903-1950), foi um escritor, jornalista e ensaísta da índia inglesa. Ele escreveu romances, reportagens, cartas e ensaios variados, mas em todos tratou, de formas distintas, da verdade.

E, em uma época em que as chamadas fake news ajudam a viralizar inverdades, que correm e põem em risco a sustentação da democracia, seus textos ganham uma importância exponencial. (#ENEM)

O atual bombardeio de fake news e a sua provável intensificação, ante as vésperas de eleição, tem efeito idêntico ao da versão única e incontestável — o de criar tantas versões dos fatos que, no limite, seria impossível distinguir entre verdade e fabricação.

É o que justifica o lançamento de “Sobre a Verdade”, seleção inédita de escritos de Orwell que têm como eixo a ideia da verdade.

“Os ensaios comprovam a sua ternura essencial, parte de sua personalidade tanto quanto o distanciamento e a contrariedade”, observa Alan Johnson, político britânico, autor do prefácio. “E, ainda que ele esteja convencido de que conceitos como justiça, liberdade e verdade objetiva podem ser ilusórios, são ilusões poderosas nas quais as pessoas ainda acreditam.”

Nascido Eric Arthur Blair (o pseudônimo deriva do rio inglês Orwell e teria nascido depois de ele vivenciar diversos conflitos armados e internos enquanto servia ao Império Britânico), o escritor é principalmente conhecido por duas obras hoje essenciais, “A Revolução dos Bichos” (poderosa sátira política em que denuncia o totalitarismo, publicada em 1945) e “1984” (assustadora distopia cuja ficção também reflete sobre a essência nefasta de absolutismos, lançada em 1949).

Socialista, logo vislumbrou as distorções do regime (especialmente o culto a Stálin, que instalou um governo de terror e de vigilância constante), tornando-se um de seus principais críticos. Johnson observa que Orwell era um pensador político que jamais teve medo de adaptar suas ideias às novas circunstâncias, em vez de tentar submeter tais desenvolvimentos à rigidez de seu pensamento. “Provavelmente, no campo da esquerda, Orwell não era o único escritor que convivia com a atração pelo socialismo e a repulsa aos socialistas, mas foi o único a pôr no papel essa dicotomia”, afirma.

“Em O Caminho Para Wigan Pier, por exemplo, ele dedica toda a segunda parte do livro para se opor ao socialismo, que defende na primeira parte.” Sobre a Verdade traz textos que, além de saborosos, tratam de temas pontuais, mas que poderiam perfeitamente ser adaptados à atualidade, em especial quando se trata de fake news.

GEORGE ORWELL E “FATOS/FAKES” NA RECENTE POLÍTICA BRASILEIRA:

Na matéria de Isabela Boskov, divulgada no dia 07/06/20, na Revista “Veja” (https://veja.abril.com.br/blog/isabela-boscov/george-orwell-de-1984-prova-sua-relevancia-em-tempos-de-autoritarismo/), também outros recursos “soam alarmantemente atuais: a onipresença das telas que transmitem e recebem, a abolição da privacidade, a reformulação da linguagem de maneira a direcionar o pensamento — a “novilíngua” citada pelo ministro do STF Celso de Mello na sua nota do domingo 31 de maio de 2020 — ou ainda os “dois minutos de ódio”, as sessões coletivas e compulsórias de execração dos inimigos da pátria que levam os participantes a paroxismos. No seu conjunto, o que a Ingsoc faz é produzir cidadãos perfeitamente acríticos. Capazes, portanto, de aceitar que 2 e 2 somam 5, ou 3, ou até 4, conforme lhes seja dito — ou de acreditar que o chavismo e o bolsonarismo são movimentos democráticos, que a Terra é plana, que as vacinas são nocivas, que o novo coronavírus é inofensivo. Como disse o italiano Umberto Eco, só um quarto de 1984 é ficção; os outros três quartos são história (essa é apenas uma das razões, também, pelas quais em 2002 o filósofo americano Christopher Hitchens escreveu o livro-ensaio “Por que Orwell Importa”).”

RESENHAS DE ORWELL E AS FAKE NEWS DE ONTEM E DE HOJE:

Na resenha “A Invasão Marciana”, publicada em outubro de 1940 no “The New Statesman and Nation”, Orwell analisa a famosa irradiação radiofônica que Orson Welles fez, dois anos antes, baseada em “A Guerra dos Mundos”, romance de H. G. Wells. Para refrescar a memória, o programa de rádio teve uma repercussão espantosa e imprevista, pois milhares de pessoas acreditaram ser, de fato, um programa de notícias que anunciava a invasão de marcianos em território americano. Acredita-se que cerca de 6 milhões de pessoas ouviram o programa e que mais de 1 milhão delas experimentaram algum tipo de pânico. O programa se estruturou como uma sucessão de boletins de notícias, fato jornalístico habitualmente considerado verídico. “O mais espantoso foi que pouquíssimos ouvintes americanos fizeram algum esforço de verificação”, escreve Orwell, ao analisar uma pesquisa feita pela universidade de Princeton, constatando que as pessoas mais suscetíveis de ser afetadas eram os pobres, os menos instruídos e, sobretudo, aqueles que enfrentavam problemas financeiros ou eram infelizes no âmbito privado. “A conexão evidente entre infelicidade pessoal e prontidão para aceitar o inacreditável é aqui o achado mais interessante”, observa Orwell. “Pessoas que estavam desempregadas ou à beira da falência por uma década talvez ficassem aliviadas ao saber do fim iminente da civilização. É um estado de espírito que levou nações inteiras a se lançar nos braços de um Redentor.”

Entre 1942 e 1948, Orwell colaborou com exatos cem textos para o jornal britânico Observer, compreendendo um período crucial na história da humanidade, ou seja, os anos finais da 2.ª Guerra Mundial e o início da Guerra Fria – termo, aliás, cunhado por ele no ensaio “Você e a Bomba Atômica”, publicado em outubro de 1945.

Alan Johnson nota que a eclosão da 2.ª Guerra Mundial marcou a cristalização das concepções de Orwell. “Ele era um patriota que entendeu as ameaças do fascismo e do comunismo (o pacto entre Hitler e Stalin foi um ponto de inflexão crucial), e isso inspirou os seus dois romances mais conhecidos.” A Revolução dos Bichos é apontado como um alerta contra os males da revolução, enquanto 1984 era considerado pelo próprio Orwell como um alerta contra o totalitarismo de direita e de esquerda, e não de uma profecia. “No romance, ele imagina as consequências de uma filosofia política que coloca o poder acima da lei e sacrifica a liberdade individual pela interpretação de bem coletivo imposta pelo Partido”, diz Johnson. “Surpreendente é o quanto continua a ser extraordinariamente relevante mesmo no século 21. A limpidez e a precisão da prosa preservaram o frescor do livro, e os seus temas – a importância da verdade objetiva e da distinção entre patriotismo e nacionalismo – continuam muitíssimo pertinentes na nossa época.”

Johnson declara que a trajetória literária, política e filosófica de Orwell culminou numa derradeira obra magistral, que acabou sendo incorporada às nossas vidas. “A luta em defesa da verdade objetiva ainda é fundamental e, embora Eric Blair tenha morrido em 1950, George Orwell continua bem vivo.”

PARA FAZER VOCÊ REFLETIR…

Nelson Mandela e Paulo Freire já diziam:

“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo” Nelson Mandela.

“Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo” Paulo Freire.

Orwell já dizia:

“Uma sociedade hierárquica só é possível na base da pobreza e da ignorância”.

De acordo com as citações de Mandela, Freire e Orwell, como seria possível investir em educação e nas pessoas sem ir contra à tal “sociedade hierárquica”?

De acordo com Ancelmo Goes (O GLOBO, 24 de julho de 2020) “Paulo Guedes quer voltar a taxar a venda de livros no Brasil com a sua Reforma Tributária”.

CURIOSIDADE DESTE #BIBLIOTECAINDICA:

O #BibliotecaIndica” sobre Orwell e suas obras primas surgiu após o bibliotecário da equipe da “Biblioteca da Prôa” se deparar com uma matéria, escrita a quase 10 anos antes, por Ancelmo Gois (14/12/11), sobre o Palacete do Visconde de Paranaguá, também conhecido como Palacete dos Amores. (Leia em: https://blogs.oglobo.globo.com/ancelmo/post/a-foto-de-hoje-421514.html).

Em um dos comentários nas redes sociais de uma divulgação dessa matéria, leia-se:

“Neste mundo em que nada se cria, tudo se copia. As fontes citadas no vídeo foram plagiadas sem referências deste artigo acadêmico!” Por João Antônio Vieira.

Fonte do Vídeo e da fala de João: https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=3776826395663529&id=100000086174855)

Procurando pela suposta “verdadeira fonte”, curiosamente, o bibliotecário que vos escreve, deparou-se com a tal no artigo realizado pelo professor de geografia, Leandro Almeida da Silveira, do nosso estimado Colégio Pedro II: “Teoria na prática: o ensino de conceitos de geografia numa aula-campo pela cidade do Rio de Janeiro”

Acesse o artigo neste link

Para uma leitura sobre como combater fake news, recomenda-se este  #BibliotecaIndica do Campus Humaitá II.

Diante do exposto da pesquisa, teve-se a ideia de trazer a verdade sob a ótica de Orwell.

LEIA TAMBÉM:

“Mulheres na História da África: Njinga Mbande”
(9° ed. #BibliotecaIndica)
http://cp2centro.net/?p=11580

O centenário de Florestan Fernandes
(8° ed. #BibliotecaIndica)
http://cp2centro.net/?p=11532

A transposição do Rio São Francisco: Do Brasil-colônia à Bolsonaro.
(7° ed. #BibliotecaIndica)
http://cp2centro.net/?p=11404

Empretecendo o pensamento: racismo, dicas culturais e de leitura.
(6° ed. #BibliotecaIndica)
http://cp2centro.net/?p=11340

LGBTIA+ e identidade de gênero.
(5° ed. #BibliotecaIndica)
http://cp2centro.net/?p=11265

Zigmunt Bauman e a dificuldade de amar
(4° ed. #BibliotecaIndica)
http://cp2centro.net/?p=11182

Lives românticas e o “Pombo Correio do Bem”
(3° ed. #BibliotecaIndica)
http://cp2centro.net/?p=11089

Meio ambiente: e-books e “Projeto Professor Água”
(2° ed. #BibliotecaIndica)
http://cp2centro.net/?p=11007

We Are One: Festival de Cinema Online;
Universidade Falada: Audiolivros gratuitos.
(1° ed. #BibliotecaIndica)
http://cp2centro.net/?p=10891

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