#BibliotecaIndica – Sugestões da Biblioteca Histórica (6)

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Em homenagem ao dia de São João (24 de junho) e de São Pedro (29 de junho), a Biblioteca Histórica indica algumas obras presentes na Literatura em que seus escritores rememoraram a temática ou fazem menção a essa tradicional festa brasileira. O livro “Mês de junho tem São João”, de Fábio Sombra e Sérgio Penna, revela todos os detalhes que devem ser preparados para que um verdadeiro arraiá aconteça.

O blog da Saraiva também reuniu algumas dessas obras, selecionadas por Maria Fernanda Moraes , das quais destacamos as seguintes:

Manuel Bandeira

O poema “Profundamente”, do livro Estrela da Vida Inteira, narra explicitamente as lembranças do poeta numa noite de São João. Além do saudosismo da infância, a composição já apresenta os ideais modernistas de Bandeira.

“Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes, cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas (…)”

Já o poema “Na Rua do Sabão”, publicado na década de 1920, no livro Ritmo Dissoluto, fala do tradicional balão. Não é exatamente a imagem explícita da festa junina, mas sim a metonímia dela. A partir de um refrão popular, de domínio público, que se repete ao longo do poema, Bandeira leva os leitores à Rua do Sabão e reaviva nessa memória coletiva uma das recordações mais vivas da infância.

“Cai cai balão
Cai cai balão
Na Rua do Sabão!
O que me custou arranjar aquele balãozinho de papel!
Quem fez foi o filho da lavadeira.
Um que trabalha na composição do jornal e tosse muito.
Comprou o papel de seda, cortou-o com amor, compôs
os gomos oblongos…
Depois ajustou o morrão de pez ao bocal de arame (…)”

Graciliano Ramos

O escritor nascido em Alagoas traz para sua literatura reminiscências das festas juninas mais tradicionais do país, no sertão nordestino. Em São Bernardo, um de seus romances mais conhecidos, que narra a ascensão do latifundiário Paulo Honório, Graciliano descreve no capítulo 7 uma festa junina:

“Nas noites de São João, uma fogueira enorme iluminava a casa de seu Ribeiro. Havia fogueiras diante das outras casas, mas a fogueira do major tinha muitas carradas de lenha. As moças e os rapazes andavam em redor dela, de braço dado. Assava-se milho verde nas brasas e davam-se tiros medonhos de bacamarte. O major possuía um bacamarte, mas o bacamarte só desenferrujava nos festejos de São João.”

Carlos Drummond de Andrade

Vale ainda lembrar que um dos poemas mais famosos de Drummond – “Quadrilha” – leva o nome da típica dança realizada nos festejos juninos. Apesar de o enredo do poema não explicitar a temática, o ritmo segue o mesmo dessa tradição junina, possibilitando uma analogia com a troca de pares que acontece em dado momento da quadrilha:

“João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.”

Também indicamos o evento “São João virtual de Campina Grande”. No canal do YouTube, a maior festa junina do Brasil poderá ser acompanhada através do link.

O artigo publicado por Raquel França dos Santos Ferreira, da Biblioteca Nacional, é mais uma dica e pode ser acessado aqui. Neste artigo, o grande protagonista das tradicionais festas juninas é o milho.

Assista no canal YouTube a História das Festas Juninas, no link.

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